Arquivo de Junho de 2007

Vida Artificial

Vida Artificial

Adeus Dolly, a vez Sintia.

Em Zurich a sociedade civil reclama um controle urgente sobre a criação de organismos sintéticos.

Cientistas e empresários no controvertido novo campo da biologia sintética (a construção de formas de vida desde o zero) se reúnem essa semana em Zurich, Suíça, com a expectativa de que o primeiro ser vivo totalmente construído por seres humanos está praticamente a umas semanas de sua criação. Grupos da Suíça e da sociedade civil internacional exigem que haja um controle desta tecnologia, mas os cientistas tentam evitar a regulamentação adiantando-se com propostas para esquivá-las. Enquanto os cientistas se reúnem em Zurich, a Royal Society do Reino Unido e o governo Suíço anunciam planos para investigar a biologia sintética.

Biologia Sintética 3.0
“Biologia Sintética 3.0” é o nome do congresso científico internacional, com sede em Zurich, que acontece do dia 24 a 27 de Junho para discutir os recentes avanços da biologia sintética, o novo campo da engenharia genética extrema que busca construir formas de vida sintéticas (através da química) e embuti-las no laboratório para produzir “máquinas vivas” – organismos totalmente programados para desempenhar tarefas particulares. Alguns desses organismos são desenhados para se liberar ao ambiente. Atualmente existem uma dezena de empresas de biologia sintética no mundo inteiro além de 70 “montadores de genes” que manufaturam moléculas de DNA para uso industrial. Os primeiros produtos comerciais derivados da biologia sintética (como uma fibra têxtil da DuPont) estão prestes a entrar no mercado e existe a preocupação de que patogênicos perigosos, como o vírus da varíola ou a Ébola possam ser construídos nos laboratórios e serem utilizados como armas biológicas. Uma vez que a biologia sintética vai muito mais além das técnicas de engenharia genética usadas anteriormente para produzir alimentos e fármacos transgênicos, não existem leis que tratem da segurança contra armas biológicas, nem a inocuidade para a saúde humana desses organismos ou os seus riscos sociais.

“ Mais uma vez uma nova tecnologia avança de forma ameaçadora sem que nenhum governo ou organismo internacional seja capaz de regulamentá-la ou controlá-la”, diz a bióloga Florianne Koechlin da SAG (o grupo suíço que trabalha com tecnologia de genes).
“ Mais uma vez escutamos da comunidade científica, com o apoio da indústria e das forças armadas, que possuem a vida sobre controle e que logo poderão construí-la desde o zero. Mas a vida é mais que a soma de suas partes”. Koechlin é membro de um organismo de ética, com apoio do governo da Suíça, que investigará as implicações da biologia sintética em 2007.

Quem é o dono da Biologia Sintética 3.0?

A tarefa de criar uma nova legislação tornou-se mais urgente a princípios desse mês, quando o Grupo ETC, uma organização da sociedade civil internacional, descobriu a primeira solicitação de patente sobre uma forma de vida artificial produzida através da biologia sintética. A solicitação de patente nº 20070122826, intitulada “Genoma bacteriano mínimo” reclama direitos de monopólio sobre um “organismo vivo que pode crescer e se reproduzir” cujo genoma (sua informação genética completa) se construiu totalmente em laboratório. Craig Venter, cujo instituto científico tramitou a solicitação patente, disse a Business Week que sua equipe está há semanas ou meses de produzir tal organismo, batizado Micoplasma laboratorium (que o Grupo ETC apelidou de ‘Syntia’). (1) Se o conseguem, marcarão um divisor de águas na evolução tal como a temos conhecido.

Craig Venter, inclusive, têm uma longa história sobre misturar ciência de vanguarda com exploração comercial. Ele encabeçou a parte privada do projeto de seqüência do genoma humano, vendendo informação genética humana a companhia farmacêutica que lhe dava na telha. Mais uma vez anunciou que espera fazer muito dinheiro com essa nova ciência, alardeando que sua nova criação sintética seria o primeiro organismo de um bilhão de dólares. (2) Apenas a semana passada firmou um contrato de investimento com a empresa petroleira Britsh Petroleum, que elevou o valor de sua nova empresa, Synthetic Genomics Inc., a 300 milhões de dólares. (3) Os críticos da sociedade civil têm a preocupação de que com as patentes de amplo espectro, Venter consiga uma posição de monopólio como o ‘Microbiosoft’ da biologia sintética.

“No último ano, os que fazem biologia sintética têm ido para cama com as grandes empresas”, explica Jim Thomas do Grupo ETC. “Com a British Petroleum, Cargill e DuPont apostando na biologia sintética, a agenda corporativa está começando a tomar as rédeas dessa poderosa tecnologia. A sociedade deve se preocupar por quais interesses serão ignorados ou esmagados”.

Biologia Sintética 3.0, aqui estamos de novo

Faz um ano (durante a reunião de Biologia Sintética 2.0 em Berkeley, Califórnia), os cientistas tentaram impor um plano para auto-regulamentar suas atividades, o que foi visto pelos críticos como uma manobra para evitar futuras legislações.
Suspenderam seus planos silenciosamente depois que 38 organizações da sociedade civil assinaram uma carta aberta chamando os cientistas para abandonar o esquema e trabalhar de forma a incluir a sociedade no diálogo. Tal diálogo ainda não se vislumbra. Este ano as mesmas propostas se apresentaram com novo envoltório no número de Junho da Nature Biotechology. (4) A proposta de auto-governo reciclada, feita por membros de um novo grupo comercial, The Internacional Consortium for Polynucleotide Synthesis, junto com cientistas-empresários e empregados do FBI (Bureau Federal de Investigação dos Estados Unidos), enfoca exclusivamente nas questões de armamento biológico. Apresenta uma estrutura na qual a indústria coloca as melhores práticas e o software de identificação de DNA sintético que possa ser atrativo para os bioterroristas. Além disso, os autores recomendam que todos os compradores de DNA sintético revelem seus nomes, a instituição a qual servem e compartam qualquer informação de biosegurança relacionada com as seqüências que estão ordenando.

Os autores sentem-se satisfeitos de que esse esquema será suficiente para cumprir as leis existentes sobre segurança biológica. Os críticos não estão convencidos.

“Dos catorze autores do esquema proposto, apenas quatro (que são empregados do FBI) declararam que havia interesses financeiros que competiam com a proposta. Pensamos que os investimentos dos próprios autores no êxito da tecnologia não ajuda a sua capacidade de auto-crítica, senão que a anula”, argumenta Kathy Jo Wetter do Grupo ETC. “Já é suficientemente negativo que está nova indústria reclame propriedade exclusiva sobre formas de vida artificiais; não se deve permitir-lhes que façam suas próprias regulamentações, artificiais também.”

Para maiores informações:
Jim Thomas, ETC Group jim@etcgroup.org
Kathy Jo Wetter, ETC Group kjo@etcgroup.org
Pat Mooney, ETC Group
etc@etcgroup.org tel: +1 613 241-2267
Hope Shand, ETC Group
hope@etcgroup.org tel: +1 919 960-5767
Silvia Ribeiro, ETC Group
silvia@etcgroup.org tel: +52 5555 6326 64
Florianne Koechlin, SAG
fkoechlin@datacomm.ch
tel: +41 79 6530274
MAIOR CONTEXTO SOBRE A BIOLOGÍA SINTÉTICA, VER:
Reportagem de Grupo ETC: Engenharia genética extrema: uma introdução a biologia sintética, janeiro de 2007
http://www.etcgroup.org/es/materiales/publicaciones.html?pub_id=603
Boletim de imprensa e documento de contexto de Grupo ETC, “Os micróbios saem de caixa de Pandora”, 7 de Junho de 2007
http://www.etcgroup.org/es/materiales/publicaciones.html?pub_id=632
“Solicitação de patente do Instituto Venter sobre a primeira espécie do mundo sintetizada totalmente em laboratório”
http://www.etcgroup.org/es/materiales/publicaciones.html?pub_id=633
Boletim de imprensa de Grupo ETC e documento de contexto:
“Alarme sobre biologia sintética: coalizão global demanda debate público y supervisão imediata”
http://www.etcgroup.org/es/materiales/publicaciones.html?pub_id=6
http://www.etcgroup.org/es/materiales/publicaciones.html?pub_id=7
NOTAS:
1. John Carey, “On the Brink of Artificial Life, Business Week, 25 de junio de 2007 http://www.businessweek.com/magazine/content/07_26/b4040047.htm
2. Barrett Sheridan, “Making It Happen,” Newsweek International, 4 de junio de 2007http://www.msnbc.msn.com/id/18882837/site/newsweek/
3. Michael Kanellos, “Oil giant BP invests in microbe specialist,” CNET News.com 14 de junio de 2007; Matt Marshall, “Synthetic Genomics searches for alternative fuels, valued at $200M,” VentureBeat, 18 de junio de 2007 http://venturebeat.com/
4. Hans Bügl et al., “DNA synthesis and biological security,” Nature Biotechnology, Vol. 25, No. 6, junio de 2007, pp. 627-629.

Comentários

Os trabalhadores da alimentação e da agricultura questionam as nanotecnologias

UITA - Nanotecnologia

As nanotecnologias (NT) constituem a revolução tecnológica mais importante de nossos tempos. As características técnicas que as distinguem são a produção de novos materiais e a atribuição de novas funções para os materiais conhecidos. O caráter dúctil destas tecnologias permite que elas sejam aplicadas em praticamente qualquer setor da produção. Isso acarreta potenciais efeitos devastadores sobre as antigas tecnologias e produtos, sendo de se esperar que ocorram transformações econômicas e sociais de envergadura nos próximos anos.

No artigo (acesse por aqui) analisamos o posicionamento da União Internacional de Trabalhadores da Alimentação, Agrícolas, Hotéis, Restaurantes, Tabaco e Afins (UITA) diante das nanotecnologias, contextualizando-as no debate em andamento sobre as implicações sociais e econômicas, e sobre os potenciais riscos ambientais e para a saúde destas novas tecnologias. A declaração da UITA tem um peso político considerável por seu caráter global, na medida em que representa aproximadamente 12 milhões de trabalhadores em mais de 120 países. Sua importância também decorre de saber expor claramente os interesses específicos dos trabalhadores diante do desenvolvimento das nanotecnologias.

fonte: http://www.rel-uita.org/nanotecnologia/trabajadores_cuestionan_nano-por.htm
Leia mais…

Comentários (2)

Los microbios salen de la Caja de Pandora

Grupo ETC
7 de junio de 2007
www.etcgroup.org

Los microbios salen de
la Caja de Pandora

Adiós Dollys ¡Hola Sintia!

El Instituto J. Craig Venter busca patentar el primer ser vivo artificial creado en un laboratorio
El Grupo ETC apelará legalmente contra las patentes sobre “Sintias” (Organismos vivos sintetizados en laboratorio)

Diez años después del nacimiento de Dolly, la oveja clonada, el Instituto J. Craig Venter ha solicitado una patente sobre una nueva bomba biotecnológica: la primer especie hecha completamente en un laboratorio. Se trata de una bacteria construida totalmente con ADN sintético.

El Instituto Venter -que toma el nombre de su creador y financiador, J. Craig Venter, el científico que encabezó el sector privado en la carrera para mapear el genoma humano- ha solicitado patentes en todo el mundo sobre lo que ha bautizado como “Micoplasma laboratorium”. El Grupo ETC apodó a este organismo sintético, “Sintia”.

“Sintia” tal vez no sea tan tierna como un corderito clonado, pero se trata de algo mucho más grave”, explica Jim Thomas del Grupo ETC, organización de la sociedad civil que está exhortando a las oficinas de patentes a rechazar las solicitudes. “Estas solicitudes monopólicas señalan el comienzo de una guerra comercial de alto vuelo para sintetizar y monopolizar formas de vida artificiales. ¿La empresa de Venter se convertirá en la “Microbiosoft” de la biología sintética?”, pregunta Jim Thomas.

“Por primera vez, Dios tiene competencia”, agrega Pat Mooney, director del Grupo ETC. “Venter y sus colegas traspasaron una frontera social fundamental y el público no ha tenido la oportunidad de debatir las enormes implicaciones sociales, éticas y ambientales que tiene la construcción de vida sintética,” aseveró.

¿In Vivo, In Vitro, In-Venter? Publicada el 31 de mayo de 2007 por la Oficina de Marcas y Patentes de Estados Unidos, la solicitud de patente del Instituto Venter (número 20070122826) reclama la propiedad exclusiva sobre un conjunto genes esenciales y sobre un “organismo vivo sintético que puede crecer y reproducirse”, construido con esos genes. El Instituto Venter también presentó una solicitud de patente internacional ante la Organización Mundial de la Propiedad Intelectual (OMPI), con el número WO2007047148, publicada el 27 de abril de 2007, donde nombra más de 100 países a los que podría extender estas solicitudes de patentes. Entre ellos se encuentran muchos países latinoamericanos, como México, Ecuador, Colombia, Brasil, Costa Rica, Honduras, Cuba, El Salvador, Nicaragua.

Patente pendiente: Los expertos en patentes consultados por el Grupo ETC indican que, analizando el lenguaje con que se redactó la solicitud, se puede pensar que los investigadores del Instituto Venter no habían logrado aún terminar un organismo completamente funcional en ese momento (al 12 de octubre de 2006).

“Han pasado ocho meses desde que el Instituto solicitó estas patentes, así que no sabemos hasta donde han llegado, en qué estadio está realmente esta especie sintética”, informó Pat Mooney del Grupo ETC. “Hace ya más de dos años que escuchamos rumores de que Venter anunciará el nacimiento de una nueva bacteria construida en laboratorio. Pocos dudan de que la compañía de Venter tenga la capacidad científica para lograrlo”, dijo Mooney.

El Instituto Venter afirma que su microbio reducido podría ser la clave para una revolución en la producción de energía barata. La solicitud de patente reclama derechos sobre cualquier versión de “Sintia” para producir etanol o hidrógeno. La investigación sobre esta nueva especie fue financiada en parte por el Departamento de Energía de Estados Unidos.

“Es pura especulación o propaganda decir que los organismos vivos sintéticos podrán usarse para mejorar el cambio climático, porque producirían etanol o hidrógeno baratos”, dijo Jim Thomas. “Ese mismo microbio mínimo podría ser el punto de partida para fabricar un virulento patógeno que puede amenazar gravemente a la gente y al planeta.”

“Los practicantes de la biología sintética ya ensamblaron el virus de la polio a partir de ADN comprado a empresas a las que cualquier ciudadano tiene acceso, una hazaña que sus inventores consideran “una tremenda llamada de alarma” debido a las implicaciones que tiene para la guerra biológica. Los organismos vivos sintéticos se promueven como solución “verde” al cambio climático para distraer la preocupación de que pueden usarse como armas biológicas”, agrega Silvia Ribeiro del Grupo ETC.

Esta solicitud de patente también es una llamada de alerta para los biólogos que trabajan en biología sintética que dicen promover la biología “de fuente abierta”, paralela a la corriente del software libre, afirmando que los componentes y herramientas fundamentales de la biología sintética deberían ser de libre acceso para los investigadores. En el número de Newsweek del 4 de junio, Venter alardea: “Si lográramos un organismo que produzca combustible, sería el primer organismo con valor de miles de millones o billones de dólares. Definitivamente patentaríamos todo el proceso.” En 2005, Venter fundó la empresa Synthetic Genomics Inc. para comercializar microbios sintéticos que serían usados en energía, agricultura y remediación del cambio climático.

VEA EL DOCUMENTO DE CONTEXTO SOBRE LA PATENTE EN:
http://www.etcgroup.org/es/materiales/publicaciones.html?pub_id=633

¿Malicia de ausencia?: La patente de “Sintia” aplica a lo que “no es” también. La solicitud explica que los inventores arribaron al genoma “mínimo” luego de determinar cuáles genes eran esenciales y cuáles no. Lo sorprendente, es que la patente reclama cualquier organismo construido genéticamente al que le falten por lo menos 55 de los 101 genes que han determinado como no esenciales. “Todos los biólogos que desarrollan microbios funcionalizados van a tener que prestar atención muy precisa al reclamo de la serie “no esencial” de genes. Si alguien crea otro bicho al que le falten algunos de los mismos genes que Sintia no tiene, ¿ el Instituto Venter los demandará por infringir su patente?, pregunta Kathy Jo Wetter del Grupo ETC.

Acción inmediata: Antes que se siga avanzando con los organismos vivos sintéticos, la sociedad debe debatir si son socialmente aceptables o deseables y responder muchas cuestiones: ¿Cómo puede prevenirse una liberación accidental al ambiente, o cómo pueden evaluarse los efectos de su liberación intencional? ¿Quién los controlará y cómo? ¿Cómo va a regularse su investigación? En 2006, una coalición de 38 organizaciones de la sociedad civil instaron a los que trabajan en biología sintética para que retiraran sus propuestas de que esta tecnología se autoregulara.

El Grupo ETC dirigió una carta al doctor J. Craig Venter, director ejecutivo del Instituto J. Craig Venter, exhortándole a que retire las solicitudes de patente presentadas ante la oficina de patentes estadounidense y la OMPI, frente a la necesidad de un debate público amplio y profundo acerca de las implicaciones que entraña la creación de formas sintéticas de vida.

“No estamos buscando una estrategia legal de largo plazo para echar abajo patentes erróneas. Estas patentes deben frenarse antes de que se emitan”, dijo Hope Shand del Grupo ETC. El mes pasado, el Grupo ETC ganó un proceso legal de 13 años cuando la Oficina Europea de Patentes revocó una patente de Monsanto sobre soya.

ETC también se ha dirigido a la OMPI y a la Oficina de Marcas y Patentes de Estados Unidos, exhortándoles a que rechacen la patente con el fundamento de que es contraria al ordre public (la seguridad y moralidad pública). Hacia fin de mes, el Grupo ETC asistirá a la conferencia Synthetic Biology 3.0 (evento internacional de biólogos que trabajan en biología sintética) en Zurich, Suiza, entre el 24 y el 26 de junio, donde hará un llamado a los científicos a unirse en un diálogo mundial sobre la biología sintética. ETC organizará reuniones con delegados y organizaciones de la sociedad civil durante las próximas reuniones del subcomité científico del Convenio de Diversidad Biológica de Naciones Unidas (CDB) en París, entre el 2 y el 6 de julio, con el fin de discutir las implicaciones que tiene crear formas sintéticas de vida para el Convenio de Diversidad Biológica (y su protocolo de bioseguridad). El Grupo ETC convocará en los próximos meses a una reunión mundial de actores de la sociedad civil sobre este tema.

Para mayor información:

Jim Thomas (Montreal) jim@etcgroup.org Mobile: + 1 514 271 2539

Pat Mooney (Ottawa) etc@etcgroup.org Mobile: +1 613 261 0688

Silvia Ribeiro (Mexico) silvia@etcgroup.org + 52 5555 6326 64

Kathy Jo Wetter (North Carolina) kjo@etcgroup.org Tel: +1 919 960-5223

Hope Shand (North Carolina) hope@etcgroup.org Tel: +1 919 960-5223

Comentários

¿Soberanía alimentaria o Revolución Verde 2.0?

Comunicado de prensa
4 junio de 2007
www.etcgroup.org

¿Soberanía alimentaria o Revolución Verde 2.0?
La “bala de plata” tiene un armaŠ

El Grupo ETC publica ahora en español el Communiqué de 16 páginas ¿Revolución Verde 2.0 para África?, describiendo cinco nuevas iniciativas para “mejorar” la agricultura en ese continente.

Los proyectos principales son la construcción de cuatro centros de excelencia agropecuaria y la fuerte inversión de las Fundaciones Bill and Melinda Gates y Rockefeller en una “Alianza para una Revolución Verde en África”, AGRA por sus siglas en inglés.

“La Revolución Verde que ocurrió después de la Segunda Guerra Mundial se enfocó en variedades vegetales semi enanas de alto rendimiento”, dice Pat Mooney, director ejecutivo del Grupo ETC. “Fue una estrategia agropecuaria que impuso lo mismo a todos, fuera apropiado o no. En África esta bala de plata no funcionó. Las tecnologías de la Revolución Verde no respondieron a las necesidades y los recursos de los agricultores africanos.

¿Revolución Verde 2.0 para África?, el informe del Grupo ETC, advierte que los grandes inversionistas de estos proyectos quieren usar las modas científicas de gran éxito como estrategia para reestructurar la agricultura africana. Si bien el eje de esta nueva revolución verde serán las semillas de alta tecnología, el G8 y las fundaciones privadas también quieren promover cambios en la estructura de mercado en el continente, en las leyes de propiedad intelectual y en las regulaciones sobre semillas, de modo que los proveedores de insumos agrícolas aseguren la rentabilidad de sus negocios. “La ciencia de gran taquilla extenderá sus tentáculos hacia los proveedores de pequeña escala”, explica Pat Money. “Parece que la bala de plata tiene un arma”.

Si bien nos parece lógico un enfoque de amplio espectro para la agricultura africana, el Grupo ETC cuestiona que todas estas grandes iniciativas derivan de planteamientos de los países de la OCDE. Nadie está dialogando con los agricultores y campesinos ni con sus organizaciones. El gobierno canadiense, por ejemplo, está construyendo una instalación de investigación biotecnológica con costo de 30 millones de dólares en Nairobi para desarrollar cultivos transgénicos. La propuesta vino de una red de investigación internacional con sede en Washington, no de los africanos. De la misma forma, la iniciativa Gates/Rockefeller ya cuenta con un plan detallado para distribuir sus primeros 150 millones de dólares, pero admite que aún le falta platicar con las organizaciones de agricultores africanos. Mediante AGRA, Gates y Rockefeller están armando unaorganización no gubernamental africana, que “ya destinó 10 millones de dólares para las organizaciones de agricultores, pero todavía no han hablado con ellos”, informa Hope Shand del Grupo ETC.

El Grupo ETC reconoce que se necesita dinero y que la ciencia agrícola tiene un papel muy importante. Sin embargo, las conclusiones de este nuevo informe van más de acuerdo con las del Foro por la Soberanía Alimentaria realizado en Mali en febrero de este año, que señalan que la OMC y otros acuerdos comerciales impuestos por las agroindustrias multinacionales son el verdadero obstáculo para el desarrollo de la agricultura en África. Si el G8, Gates y Rockefeller terminaran con algunas de esas barreras, en gran parte creadas por los países de la OCDE, los agricultores africanos podrían hacer el resto”, sugiere Hope Shand.

Las cinco iniciativas discutidas en el Communiqué son los nuevos centros de excelencia biotecnológica que propone el G8; las empresas de capital de riesgo que emprende la Fundación Syngenta; el programa de las Aldeas del Milenio propuesto por Jeffrey Sachs; los nuevos intereses de Google.org en el continente y el compromiso AGRA (de Gates y Rockefeller). En el documento de ETC describimos a dónde irá a parar el dinero y quiénes serán los verdaderos beneficiarios de todos los proyectos.

“Solamente proyectos de desarrollo rural y agrícola encabezados por los propios campesinos y agricultores, que se basen en los sistemas de trabajo existentes, pueden derivar en un mejoramiento real”, insiste Silvia Ribeiro del Grupo ETC. “Se necesitan dinero y recursos así como tecnologías apropiadas, pero la ciencia no puede remediar las malas políticas.”

El Communiqué concluye: “Agricultura y biodiversidad son temas candentes en el Banco Mundial, la FAO y el Convenio de Diversidad Biológica de la ONU y en los próximos 14 meses tendrán lugar varias reuniones importantes de estas instancias. Tienen que reconocer que los agricultores de pequeña escala, los pastores y pescadores artesanales deben ser los principales arquitectos y actores en el fortalecimiento de la soberanía alimentaria de África.”

Para mayor información:
Pat Mooney en Canadá
+1 613 241 2267
etc@etcgroup.org

Hope Shand en Estados Unidos
+1 919 960 5767
hope@etcgroup.org

Silvia Ribeiro en México
+011 52 5555 6326 64
silvia@etcgroup.org

Comentários

Dilemas e riscos da nanotecnologia

Ruy Braga,
Especial para o Portal do PSTU*

Em março de 2006, um produto de limpeza que prometia proteger banheiros da proliferação de bactérias por até seis meses foi colocado à venda na Alemanha. Batizado de Magic Nano, o produto tornou-se um imediato sucesso. Contudo, apenas três dias depois do lançamento comercial, teve de ser recolhido por causa de sérias reclamações. Muitos afirmaram que o Magic Nano provocou problemas respiratórios, levando alguns consumidores, inclusive, à internação hospitalar.

E foi por meio deste conturbado episódio que a nanotecnologia apresentou-se ao grande público alemão: forte expectativa seguida por uma não menos acentuada preocupação. Naturalmente, muitos associaram o problema ocorrido com o Magic Nano aos riscos inerentes à nanotecnologia. Contudo, trata-se de um ponto de partida problemático, pois neste caso a caracterização desta nova tecnologia aconteceu de maneira espetacular e superficial, mediada em grande parte por estratégias publicitárias e não pelo debate público. Afinal de contas, quando falamos em nanotecnologia estamos nos referindo a que mesmo?

A nanotecnologia pode ser apresentada de duas formas. Em primeiro lugar, refere-se ao prefixo nano: um indicador de medida. Um nanômetro corresponde à bilionésima parte de um metro. Conseqüentemente, a nanotecnologia remete à escala e não especificamente a objetos ou conteúdos, como, por exemplo, a biotecnologia, cujo prefixo “bios” significa vida. Em segundo lugar, a nanotecnologia corresponde a uma série de técnicas utilizadas para manipular a matéria na escala dos átomos e das moléculas cuja observação requer microscópios especiais.

Como é possível imaginar, existem poderosos interesses por trás da nanotecnologia. Mais de 1.200 grupos corporativos no mundo se dedicam a desenvolver aplicações de nanotecnologia. Há desde velhos conhecidos como 3M, Du Pont, General Electric, Johnson & Johnson, HP, IBM e Intel, até competidores superespecializados, como NanoInk, Veeco, FEI, Arryx, Luxtera e Nanosys. Os investimentos feitos pelos países desenvolvidos e por parte das 500 maiores empresas existentes no planeta em nanotecnologia são enormes. Segundo a Comissão Européia, apenas em 2004, o montante de investimentos financeiros globais foi da ordem de oito bilhões de euros, dos quais os grandes grupos corporativos foram responsáveis por aproximadamente metade deste valor.

As possíveis aplicações das nanotecnologias são imensas: medicina e saúde, tecnologia de informação, produção e armazenagem de energia, ciência dos materiais, alimento, água e meio ambiente, instrumentos, fármacos, células-combustível de hidrogênio, exploração espacial… Será difícil encontrar um setor econômico que, no futuro próximo, permaneça alheio aos avanços nanotecnológicos.

Em decorrência disto e como freqüentemente acontece com as revoluções tecnológicas, também a nanotecnologia surge acompanhada por muitas esperanças. Da cura de doenças à despoluição dos mares, do fim da pobreza à renovação das fontes energéticas do planeta… Uma parte da comunidade científica acredita que o processo de convergência das chamadas tecnologias BANG (Bites, Atomic, Neuro e Genetic) esconde a chave para, inclusive, a vida eterna. Ou, conforme a expressão consagrada pela literatura, a chave para alcançarmos a condição pós-humana.

Por um lado, as nanotecnologias contêm a fascinante promessa de minúsculos robôs replicantes, os nanobots, que poderiam navegar velozmente pelos vasos sanguíneos como se fossem mecânicos da saúde para eliminar e destruir, por exemplo, coágulos de sangue e células cancerígenas, prolongando indeterminadamente a vida humana. E, por outro, a nanotecnologia poderia oferecer a base para o desenvolvimento de uma engenharia de computação atômica que utilizasse moléculas isoladas pra fazer funcionar os circuitos informacionais, aumentando, assim, indefinidamente o desempenho dos computadores e tornando viável a possibilidade de transferir o espírito humano para um suporte inorgânico formado por nanocircuitos.

Naturalmente, trata-se de um projeto – ao menos por enquanto – irreal, polêmico e que esbarra hoje em extraordinários limites políticos, culturais e tecnológicos. Contudo, a simples existência idealizada de um tal “projeto pós-humano” já indica a magnitude das esperanças trazidas ou ampliadas pela nanotecnologia. Em parte, são estas mesmas promessas e enormes expectativas que tornam mais difícil o reconhecimento da existência de riscos sócio-ambientais para os trabalhadores associados à produção industrial de nanoestruturas e de nanopartículas.

Por um lado, por exemplo, existe uma forte crença no meio científico de que a nanotecnologia não é perigosa por que a humanidade já convive há séculos com as nanoestruturas e nanopartículas são formadas naturalmente sem nunca ter ocorrido nenhum problema maior. Ao forjarem e temperarem espadas samurais e sarracenas, os artesãos armeiros japoneses e árabes produziam inadvertidamente nanotubos de carbono responsáveis pela excepcional qualidade das armas e a formação dos íons – átomos que por um motivo qualquer perderam ou ganharam elétrons – ocorre naturalmente na atmosfera por meio de colisões e movimentos dos átomos.

Esta crença, contudo, obscurece o fato de que a produção de nanopartículas ou materiais nanoestruturados em escala industrial traz consigo desdobramentos imprevisíveis quando comparados aos conhecidos ciclos naturais ou tradicionais de produção das mesmas.

Por outro lado, desde que o processo de mundialização do capital foi acelerado no início dos anos de 1980, o moderno campo tecnocientífico atravessa um período de transformações agudas em sua relação com o campo econômico. Particularmente, naquilo que diz respeito à relação entre o ciclo da inovação tecnocientífica e o ciclo do investimento em novos meios de produção decorrentes destas inovações. Todos sabemos que há aproximadamente dois séculos os progressos tecnocientíficos constituem os principais instrumentos de aumento dos lucros das empresas. Entretanto, existia uma nítida separação entre o ciclo de inovação e o ciclo de comercialização da inovação.

Em meados dos anos de 1970, e em resposta à crise do capital, diferentes países imperialistas, tendo os Estados Unidos à frente, decidiram liberalizar seus mercados financeiros e, assim, multiplicar as possibilidades de investimento. Com isso, e apoiado pelo rápido desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação (computadores, satélites…), uma massa enorme de capitais sob a forma financeira passou a percorrer o mundo em busca de oportunidades de valorização.

Nos Estados Unidos, tais oportunidades apareceram sob a forma de ciclos de negócios permanentemente renovados pelo desenvolvimento de novas tecnologias. As décadas de 1970 e de 1980 conheceram o incremento da automação microeletrônica e um ciclo tecnológico amplamente sustentado pelo pesado investimento estatal no setor bélico: o programa “Guerra nas Estrelas”. A década de 1990 viveu o boom do setor de produção de TI (tecnologias de informação) e, posteriormente, a difusão da internet e dos negócios “ponto com” mundializados. O novo milênio surge apoiado na onda de investimentos em biotecnologias e em engenharia genética. E, agora, experimentamos o início da “Revolução Invisível” representada pela nanotecnologia e pela nanociência.

Em apenas três décadas experimentamos várias “revoluções tecnológicas” com suas promessas e seus encantos: a microeletrônica, as telecomunicações, a computação, a internet, a biotecnologia e a engenharia genética… Mas também passamos por várias decepções. O colapso das sociedades de tipo soviético e o fim da Guerra Fria acenderam a esperança de que o investimento em armamentos cedesse seu lugar a uma ciência voltada para o bem-estar e para a melhoria das condições de existência humanas. A primeira Guerra do Golfo acabou rapidamente com essa esperança.

O ciclo especulativo do início dos anos 1990 e que tornou viável o boom de crescimento patrimonial centrado no “conhecimento” proporcionado pela internet fracassou no início de 2000, levando consigo alguns trilhões de dólares. Não existe solução tecnológica para as contradições do capitalismo e a esperança de enriquecimento amplamente acessível para todos aqueles que soubessem empregar sua criatividade nos negócios “ponto com” também caiu por terra.

O frenesi em torno das biotecnologias e da engenharia genética, por sua vez, foi abafado pelo escândalo da falsificação de resultados da pesquisa genética com células-tronco, precursoras da clonagem terapêutica pelo cientista coreano Hwang Woo-suk. O caso teve repercussão mundial e serviu para ilustrar como a competição exacerbada por resultados espetaculares que ocorre atualmente no campo científico tem raízes em outro campo: o econômico.

As antecipações de lucros futuros, muito comuns nos mercados financeiros, têm pressionado instituições – universidades e empresas de pesquisa tecnocientífica – do campo científico para apresentar resultados mercadologicamente atraentes e em ritmo acelerado. Vivemos atualmente uma espécie de financeirização da ciência com o ciclo comercial passando à frente do ciclo de inovação e exigindo do campo científico resultados de curtíssimo prazo cada vez mais espetaculares no intuito de sustentar a agitação dos mercados financeiros.

Demonstrando uma vez mais que o capitalismo monopolista é uma enorme máquina de destruição de forças produtivas – a classe trabalhadora à frente –, o campo científico finaceirizado tende a sacrificar a precaução e o compromisso com os resultados inerente ao ofício do pesquisador e ceder às pressões das instituições de financiamento da ciência. Naturalmente, os riscos para a saúde dos trabalhadores ou para a preservação do meio ambiente decorrentes da produção tecnocientífica aumentam exponencialmente.

Apesar disso, os grandes grupos corporativos internacionais continuam envolvidos em uma desatinada corrida na direção de produzir e despejar o mais rapidamente possível produtos nanotecnológicos nos mercados mundializados e, consequentemente, nos mais diferentes ecossistemas. Não se trata de ser “contra” ou “a favor” da nanotecnologia. Esta apresenta potencial para se tornar um poderoso instrumento a serviço do bem-estar dos trabalhadores. Afinal, quem não gostaria de poder contar com transportadores moleculares capazes de levar medicamentos exatamente para o interior das células doentes, por exemplo?

Entretanto, como bem sabemos, o uso capitalista da nanotecnologia privilegia o lucro. E, nas condições sociais da financeirização neocapitalista contemporânea, um tipo de lucro de curtíssimo prazo. Avançar no debate a respeito da nanotecnologia implica reconhecer a realidade da contradição existente entre as necessidades humanas e a acumulação do capital.

* Ruy Braga é professor do Departamento de Sociologia da USP.
fonte: www.pstu.org.br

Comentários