Nanociência e a saúde dos trabalhadores em debate
Capacidade potencial de manipular cada átomo e cada molécula no lugar desejado, compactar processadores de dados, criar competência para estruturar uma engenharia molecular, essas são algumas definições que apenas apresentam um pouco sobre nanotecnologia, ciência que especialistas afirmam ser o limiar de uma nova revolução industrial.
No entanto, mesmo com a iminente transformação social proposta, ainda existem poucos estudos científicos sobre o assunto. Não se tem idéia, por exemplo, dos possíveis efeitos tóxicos para a população humana e o meio ambiente, os métodos apropriados para ensaios e impactos desses materiais nanoestruturados, no que se refere aos alimentos, à saúde dos trabalhadores e ao meio ambiente.
À luz dessas questões, a nanotecnologia – que pode ser aplicada em uma escala um milhão de vezes menor que um milímetro – se mostra uma ciência ainda mais desafiadora. Razão pela qual a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), em conjunto com outras quatro instituições, realiza o Seminário “Nanotecnologia, saúde dos trabalhadores, alimentos e impactos à sociedade e ao meio ambiente”.
O seminário acontece nos dias 3 e 4 de outubro, a partir das 8 horas, no auditório Edson Hatem da Fundacentro – localizado à rua Capote Valente nº 710, em Pinheiros, São Paulo (SP).
Engajamento público em nanotecnologia
De acordo com os organizadores do evento, o seminário pretende abordar essas incertezas em relação à nanotecnologia e também, provocar uma reflexão sobre os impactos dessa técnica, principalmente no âmbito da Saúde e Segurança do Trabalhador (SST).
Os organizadores querem também sensibilizar a sociedade em relação aos impactos sócio-econômicos e ambientais desencadeados com o surgimento da nanotecnologia. “Temos que pensar nanotecnologia em SST e, por isso, esperamos contribuir para que o público não especializado obtenha informação”, explica Paulo Roberto Martins, coordenador da Rede de Pesquisas em Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente (Renanosoma).
Com o esclarecimento das vantagens e desvantagens, a discussão dos possíveis efeitos e, principalmente, dos danos que a nanotecnologia pode envolver, o seminário quer convocar a sociedade para um engajamento público e debate.
De acordo com a pesquisadora da Fundacentro, Arline Arcuri, o grande salto da nanociência foi o conhecimento científico adquirido para a manipulação das moléculas. Mas, para se tornar uma ação produtiva, ela considera que devem ser desenvolvidos mecanismos que evitem o aparecimento de possíveis danos ao trabalhador e ao meio ambiente.
“É importante debater a nanotecnologia ainda no laboratório e não quando ela já está no mercado. Por isso, o seminário tem um caráter de uma ação preventiva”, explica Arline.
Nanotecnologia, várias tecnologias
Ao se referirem à nanotecnologia, especialistas falam em diversas tecnologias utilizadas. Os diferentes campos de atuação da manipulação de materiais em tamanho nano compõem, de fato, a nanotecnologia.
É o que diz a pesquisadora Arline, que também chama atenção para transformação dos processos e produtos utilizados diariamente pela sociedade, que poderão causar grandes efeitos à população.
“Não é uma coisa única. Existem várias nanotecnologias utilizadas em alimentos, medicamentos, informática, entre outros”, afirma a pesquisadora.
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