Nano Chat
22/08/2007
Nanotecnologia e Trabalhadores
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Alexandre: Boa tarde, gostaria de agradecer a oportunidade de participar desta iniciativa na promoção do engajamento público nas nanotecnologias e aproveito para parabenizar o Paulo Martins pelo pionerismo e os colegas da Renanosoma pelo difícil trabalho que estão desenvolvendo neste área.
Alexandre: Tenho estudado este tema, em sua relação com os trabalhadores a partir de uma oficina do Paulo Martins no Fórum Social Mundial, em 2003. No ano passado, o IIEP realizou, no dia 10 de Novembro, na Fundacentro, o 1o Seminário Internacional “A Nanotecnologia e os Trabalhadores” em parceria com a Renanosoma. Depois disso organizou três oficinas para organizações sindicais: Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, Federação do Metalúrgicos de São Paulo e Confederação Nacional dos Químicos – CUT.
PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE ESTOU AQUI NA CIDADE DO MEXICO. JUNTO COMIGO ESTA INIKE MOLSCH, COORD DO PROJTO NANOFORUMEULA
PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE. VC PODERIA COMECAR POR COLOCAR QUAIS SAO AS QUESTOES CENTRAIS DESTE TEMA NANO E OS TRABALHADORES
Alexandre: O problema central, do ponto de vista da organização do trabalho, é o ideário das nanotecnologias. O que se pretende fazer, a qualquer custo e com a maior rapidez possível, é tornar as máquinas cada vez menores e multiplicá-las aos bilhões. Essa filosofia vai na contra-mão do pensamento dominante no início do século XX quando Henry Ford construiu sua montadora em uma área de 800 hectares, com uma linha de produção de 144 km, abrigando todos os mega-equipamentos necessários para criar cada fase de um automóvel: alto-forno, siderúrgica, vidros … até a pintura. A busca pelo método de produção mais eficaz tem o sentido inverso ao da época em que o maior significava o melhor. O desejo dos nanotecnólogos é reduzir tanto as fábricas ao ponto de torná-las invisíveis.
Malsch: Existem trabalhadores no Brasil atentos o suficiente quanto ao potencial risco das nanoparticulas na produção? Sim a Fundacentro é um orgão que estuda estas questões e está começando um projeto com este foco de pesquisa.
Alexandre: No dia 09 de Novembro de 2006, em São Paulo, foi fundada a ReLANS – Rede Latinoamericana de Nanotecnologia e Sociedade que tem se estabelecido como fórum para o intercâmbio de informações sobre o processo de desenvolvimento das nanotecnologias com atenção para as implicações políticas, econômicas, sociais, legais, éticas e ambientais das nanotecnologias. E também acompanha as preocupações e manifestações dos representantes dos trabalhadores.
Luciana: Alexandre, você considera que isso deve ser repensado? A grande massa consumidora são cidadãos da classe trabalhadora; à medida que os empregos dimuem exponencialmente, o consumo também segue a regra. Menos empregos, menor consumo, mais desempregados - haverá um aumento dos problemas sociais e da violência. Isso não é preocupante? Você considera que os representantes da indústria conseguem visualizar a questão sob o prisma sociológico e antropológico?
Alexandre: Acho que os representantes das indústrias não estão muito preocupados com questões sociológicas ou antropológicas. Isso é realmente um problema a médio e longo prazo! A questão é a competição entre indústria e o controle global da economia.
PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE. CREIO QUE PODERIAMOS DISCUTIR MAIS SUA IDEIA A RESPEITO DO FORDISMO X NANO . O QUANTO A NANO MUDA O UNIVERSO DA PRODUCAO E EM CONSEQUENCIA MUDA OS TRABALHADORES
Alexandre: Como a nanotecnologia afetará a produção? Minha intuição é a de que não a afetará.
Explico: Uma questão importante é quem serão os operadores dos novos processos produtivos? Costumo responder esta pergunta com a seguinte reflexão:
“se pudéssemos voltar no tempo, até bem pouco antes da primeira revolução industrial, como poderíamos ajudar os artesões e camponeses a compreender e enfrentar o que estava por vir?” Difícil, não? No caso a indústria e o operário surge em paralelo e não como transformação do trabalho do artesão ou do camponês. Os pequenos produtores ainda existem e lutam pela posse da terra enfrentando o agronegócio por um lado e as pessoas da cidade, chamadas agora de consumidores vestem e se alimentam cada vez mais de coisas que saem da fábrica ao invés do campo.
Os empreendimentos, produtos e processos das nanotecnologias concorrerão com as formas de produção que existem hoje.
Você poderá plantar uma laranjeira, colher a laranja, espremer e fazer um SUCO (opção 1),
ir a um supermercado, comprar, pôr na geladeira e depois tomar uma FANTA (opção 2),
personalizar sua nanofabria portátil com o software de sintetização de NANOREFRESCOS (opção 3).
Você também pode passar creme de abacate para amaciar os cabelos (opção 1), usar um Xampu convencional (opção 2), introduzir só “Deus Sabe o Que” que dispensa lavar os cabelos da L’ Oreal (opção 3).
Luciana: Alexandre, você cosnidera que é possível uma regulação internacional, ou teremos que esperar o que o tempo dirá?
Alexandre: Não temos que esperar!!!
Eu particularmente não acredito ser possível uma regulamentação ou memso regulação internacional. Os fóruns internacionais são ao meu ver burocráticos demais.
No entanto o fato de reinvindicar ajuda a sensibilizar e mobilizar os trabalhadores e pesquisadores. Por isso se justifica.
Luciana: Bom, usando a analogia, o que podemos fazer é tentar identificar que profissões serão extintas e buscarmos alternativas de reeducação para outro trabalho. Alguns sindicatos já começaram alguns trabalhos relacionados aos cortadores manuais de cana.
Alexandre: A questão central é quem detem a tecnologia… e quem se apropria dos resultados do trabalho. Novas formas de produção poderiam diminuir as horas de trabalho. Não acha?
Malsch: Alexandre If nanotechnology contributes to smaller production facilities, this could also favour Small and Medium Size Companies rather than large multinationals, because it takes less investment to start a production facility. What do you think?
Alexandre: Um elemento que causa muita confusão nos debates é falar de nanotecnologia no singular. Há várias classificações possíveis para as nanotecnologias, mas do ponto de vista da organização do trabalho, acredito que existem pelo menos três revoluções nanotecnológicas simultâneas em curso o que também diferencia os setores industriais envolvidos:
1. a primeira resultado da incorporação de nanoestruturas, com suas novas e surpreendentes propriedades, aos materiais e processos produtivos já existentes. Um exemplo são os nanotubos de carbono mais fortes do que arames de aço, conduzem mil vezes mais eletricidade do que um fio de cobre e suportam mais de um milhão de vezes seu próprio peso.
Alexandre: 2. a segunda é a fase inicial da construção “de baixo para cima” invertendo a lógica da manufatura e buscando criar materiais e processos produtivos a partir da auto organização induzida por agentes externos como campos magnéticos, potenciais elétricos, nanofiltragens, etc. Um exemplo é a produção de filmes comestíveis, nanocápsulas e nanosensores.
Alexandre: 3. a terceira é a apropriação da “força de trabalho” e “energia” dos organismos vivos. Como nossas mãos e máquinas são gigantes na escala nanométrica, a idéia é incorporar no processo produtivo as forças e funções que existem em abundância na natureza. Um exemplo é o uso de bactérias para fabricar fios sintéticos. A meta é organizá-las para fabricar a roupa inteira!
Luciana: Sim, por este prisma está coerente. No entanto, não é bem assim que muitos empresários olham. Os lucros dos bancos aumentaram e os empregos diminuiram. Os bancários não trabalham menos, simplemente muitos foram demitidos. O que precisamos é identificar, divulgar, debater, sobre a RESPONSABILIDADE SOCIAL daquele que, por meio de novas tecnologias, muitas, promovidas por pesquisas públicas, conseguem ter mais lucro. Não cabe ao pesquisador, nem ao militante social dizer isso ao empresário. Cabe aos representantes da classe trabalhadora, na hora da negociação coletiva. Para tanto, eles precisam de orientação política, jurídica, etc.
Alexandre: Quem serão os representantes dos trabalhadores após a passgem do Tsuname das nanotecnologias?
Alexandre: As redes como a Renanosoma, a Relans, etc estudam as implicações políticas, econômicas, sociais, legais, éticas e ambientais das nanotecnologias. Elas são realmente importante. O programa de engajamento do Paulo Martins e as formações que o IIEP vem fazendo com dirigentes sindicais também ajudam a ampliar o debate. As resoluções UITA, CNQ, etc são igualmente importante. Mas acho que falta um movimento junto aos futuros operadores dos novos processos produtivos, os nanotecnólogos, dentre eles os estudantes de Física, Química, Biologia, Engenheiros e Cientistas da Computação. Já que não dá para criar um movimento de organização das bactérias e vírus (pelo menos por hora).
Malsch: Alexandre, In Europe, trade unions are starting to get interested in nanotechnology. They are mainly concerned about occupational health effects of nanoparticles. There is a European project Nanocapacities (NANOCAP), which assists trade unions and environmental NGOs to develop a position on nanotechnology. The IVAM institute of the University of Amsterdam is coordinating this project www.ivam.uva.nl
Alexandre: Já existem resultados de pesquisa dos impactos das nanopartículas à saúde dos trabalhadores no local de trabalho?
Ontem mesmo, no estado de São Paulo, foi emitida uma liminar pela justiça re - autorizando o uso do AMIANTO pelas indústrias brasileira. Só para ver com que coisas lidamos!!!
Alexandre: Um sério problema do Brasil é que a grande maioria dos tralhadores (mais de 65 %) não possuem a escolaridade obrigatória (8 anos de escola). Como é possível debater nanotecnologia com companheiros que não entendem direito o que é um átomo, uma ligação química, etc.
Alexandre: E ainda falando da escola brasileira, um outro problema grande é que os fundamentos das ciências que aparecem quando lidamos com a matéria na escala nanométrica são os da Física Quântica. Foram formulados a partir dos trabalhos de Planck em 1900. Minha crítica à Física ensinada no nível básico (fundamental e médio) é que ela não vai além das Leis de Newton, quando muito o fazem! Em 1997 realizei uma experiência, como projeto de iniciação científica tentando ensinar física quântica para alunos do segundo grau de uma escola pública. Mas os nossos professores, livros didáticos e licenciatura ainda não incorporaram estes conteúdos.
dulley: Alexandre - O Domenico de Masi afirma que a nossa sociedade ocidental pelo menos ensina e forma as pessoas para o trabalho e que com o desenvovimento tecnologico vamos ter que ser ensinados e formados para o lazer pois o que vai sobrar é tempo. O prorio André Gorz em seu livro o Imaterial diz que as empresas perceberam que o lucro não vem mais da produção material mas sim predominantemente do conhecimento científico e da sua apropriação. Em função disso se preocupam muito mais em como gerar a facilitar a criatividade dos “trabalhadores” creio que até es empresas aos poucos vão perceber isso.
Por outro lado como aparece no artigo que opaulo mandou sobre as nanofabricas individuais seria possivel que no futuro haja mais empresas familiares fisicamente mas pagando Royalties para as empresas maiores que detenham as patentes.
Alexandre: Dulley. Está certo… mas temos que considerar o caso. Muito provável, de minha perspectiva como estudantes das exatas das Nanotecnologias falharem!!! Olha, não acredito que a Industria melhorou a vida das pessoas. Na verdade concentrou renda. Com as nanos também será assim. Os industriais lidam com prespectivas individuais. Quanto aos Royalties, não há dúvida!
Alexandre: Outro problema muito grave é que como os fenômenos quânticos, que governam as proriedades na matéria na escala nano são muito distantes da nossa realidade cotidiana, apesar dos formalismos estarem bem estabelecidos pelas equações de Dirac e Schrondiger suas interpretações divergem muito entre os próprios físicos e entre os filósofos. O prof Osvaldo Pessoa Jr da Filosofia USP coleciona mais de 50 interpretações diferentes entre os Cientistas para explicar o colapso da função de onda.
Malsch: Alexandre, I have heard about a project where they measured the presence of nanoparticles in the workplace. The result was that there were more nanoparticles in the office than in the production facility for the nanoparticles. Most nanoparticles came from the carpet, and the printer. I don`t know about any results of investigation of the health impact on workers.
Alexandre: A questão é que tipo de nanoparticulas são. Claro que algumas já estão presentes desde a descoberta do fogo e seu uso para cozinhar. Mas coisas como dióxido de titânio aplicados na pele, via protetores solares é algo novo e arriscado.
Gricia: Alexandre, As nanotecnologias, além de reduzir os postos de trabalho, que causará um grande caos na sociedade como um todo, pode representar um grande riscos a saúde ao meio ambiente, especialmente em funcao da sua capacidade de penetracao e reacao, além da introducao de novas sustancias, apesar das vantagens que ela vem anunciando. Lembrando que se espera um desenvolvimento muito rápida das nanotecnologias, como voce acha que os sindicatos deveriam estar atuando nesse cenário que os trabalhadores serao os principias atingidos?
Alexandre: Os sindicatos precisam entender que a questão está acima da categoria ou dos ramos. Acho que precisam se apropriar dos conhecimentos e atuarem com tem feito, por exemplo, a União Internacional de Trabalhadores da Alimentação, Agricultura … – UITA, que com uma base de 12 milhões de trabalhadores e presente em mais de 120 países, emitiu uma declaração, resultante de seu 25o congresso mundial, em março deste ano, tornando suas as reivindicações do Grupo ETC: adoção do Princípio de Precaução, suspensão das patentes pela OMPI, atualização do Codex Alimentarius e realização de estudos sobre os efeitos à saúde dos trabalhadores, técnicos, consumidores pelas OMS e FAO e um estudo sobre os impactos nas condições de trabalho pela OIT.
dulley: Olha ! as vezes eu acabo achando que assim como quando me dedicava a apoiar a agricultura organica na realidade estamos “combatendo” muito mais o capitalismo (não as pessoas mas a sua propria dinamica interna) e suas caracteristicas mazelas do que as nanos pois elas se administradas com precaução e no tempo certo poderiam ser de muita utilidade para a humanidade. Fazendo um paralelo com a agricultura que é mais a munha área o que é danoso é a agricultura baseada no agroquimicos que polue e depreda o ambiente e mesmo agora que o Capital se interessou pela produção organica agricola o seu proprio conceitro passou a se deteriorar. Por isso acho que temos que refletir bem : nos nosso debates…o que é parte do debate sobre o capitalismo, sua perversidade e voracidade e o que´são os problemas implicitos das nanotecnologias . Ou será que não dá mesmo para separar as coisa.? mas daí se correo risco de combater só o capitalismo!
Alexandre: Dulley, perfeito! o problema é que a maioria das pessoas não param para pensar no que estão fazendo e seguem adiante pela cabeça dos outros.
A ciência, neste milênio, tem o papel que a Igreja teve nos mil anos passados!
Nossos jovens cientistas muitas vezes parecem terem boas intenções e acreditarem que suas pesquisas servem a uma boa causa para melhor a vida das pessoas e diminuir o trabalho humano. Mas não conseguem enxergar que seus projetos de pesquisa se inserem em programas e direcionamentos da ciência com implicações muito mais ampla.
Luciana: Alexandre, você mencionou um ponto importantíssimo: a dificuldade do debate com a classse trabalhadora por problemas de educação. Tenho observado isso. Muitas vezes eles seguem um líder (no sentido de seguidor mesmo…) também despreparado, além da estrutura sindical com muitos problemas.
Alexandre: Sinto isso mesmo. Também com relação as representações sindicais. Veja que as resoluções da UITA não são muito diferente do ETC Group.
Alexandre: Também vejo muita dificuldade e confusão no debate entre cientistas das ciências humanas (os inexatos) e das exatas (os desumanos). Acho que todos nós precisamos é de mais conhecimentos…
Alexandre: Dulley, para mim são exatemente os benefícios prometidos pelas nanotecnologias o seu maior malefício!
Malsch: Alexandre, aren’t there training methods for educating workers with few years of education in safe handling of chemical, biological, or other hazardous substances in Brazil? I imagine you could incorporate information on nanoparticles and their new potential health effects in those methods. Possibly European Trade Unions could assist their Brazilian counterparts in developing training for safe handling of nanomaterials.
Alexandre: Não temos isso ainda. No Brasil que está a frente destas questões e pode debater melhor é a FUNDACENTRO.
dulley: Volto ao que coloquei no ultimo chat. O Paulo e a sônia vao ter reunião nos dias 12 e 13 MCT creio que sobre nanotecnologias e ciências humanas com todas as demais redes de nanotecnologias do país.
Daí qual seria a nossa proposta de ação ou de integração com elas?
Outra coisa … inclusive sobre a qual vou escrever um artigo junto com colega do IEA é sobre o fato de que caso a manufatura molecular de produtos agrícolas ocorra em algum momento no futuro as relações intercapitalistas praticamente deixariam de existir, o proprio comercio internacional. por exemplo: se for possivel produzir café na Islandia…por que eles vão querer importar café. Todas aos industrias de insumos agrícolas deixariam de existir. Os famosos “elos” das cadeias de produção deixariam de existir também ! E daí aonde vai para o capitalismo como o conhecemos? Aonde vai para a globalização ?
Alexandre: Olha, as coisas não deixam de existir. convivem juntas como disse no início. Da periferia para o centro da cidade caminhamos por vários séculos da história da humanidade! uns vivem no passado, outro no futuro!
Alexandre: visitem o blog do IIEP para mais informações sobre nanotecnologia e trabalhadores:
http://blog.iiep.org.br. Muito Obrigado pelo debate. Quem desejar trocar mais informações comigo ou com o IIEP pode me contatar em alexandre@iiep.org.br.
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Leia nos arquivos do IPT um resumo de outros bate-papos que tratam de questões sobre Nanotecnologia, Educação e Trabalho:
24/10/2007 - Nanotecnologia, Educação e Trabalho, com Alexandre Custódio Pinto
clique aqui para acessar
19/10/2007 - Nanotecnologia e ciências humanas, com Paulo Martins
clique aqui para acessar
17/10/2007 - Engenharia elétrica e sensores com nanotecnologia com Nilton Morimoto
clique aqui para acessar
28/09/2007 - Engajamento Público em Nanotecnologia com Alexandre Custódio Pinto
clique aqui para acessar
15/08/2007 - Engajamento Público em Nanotecnologia, com Gian Carlo Delgado Ramos e Paulo Martins
clique aqui para acessar
16/07/2007 - Nanotecnologia e Alimentos, com Paulo Roberto Martins e Richard Domingues Dulley
clique aqui para acessar
PARTICIPE!!!
Clique aqui para visitar a agenda e os arquivos do Programa de Engajamento Público em Nanotecnologia
10/10/2007
Ações em segurança do trabalhador na área de nanotecnologia
Valéria R. S. Pinto - Engenheira química com especialização em engenharia de segurança do trabalho e mestrado em Engenharia de Produção. Tecnologista da Fundacentro, no Centro Estadual do Rio de Janeiro, integra a equipe no projeto sobre levantamento de impacto da nanotecnologia à saúde dos trabalhadores.Valéria: Boa tarde! Iniciamos esse ano um projeto a Fundacentro com o obetivo de realizar um levatamento preliminar dos riscosa que estão expostos os trabalhadores em relação as nanotecnologias.
Valéria: Nos últimos três meses me dediquei a realizar um levantamento das ações e projetos em âmbito mundial na área de segurança e saúde no trabalho nesse campo.
PAULO MARTIN: CARA VALERIA, GRAÇAS AO SEU EMPRENHO, DA ARLINE E DEMAIS DA FUNCACENTRO CREIO QUE JA CAMINHANHOS NESTA TAREFA E VC PODERIA COLOCAR SUA VISAO DEPOIS DESTE PROCESSO DE VARIOS MESES
Valéria: Caro Paulo, por um lado verificamos que o volume de informações é enorme, e ainda temos muito o que estudar. Por outro já pudemos identificar que esse é um campo de muitas incertezas!
Valéria: Paulo, ainda sobre sua questão. Observamos que o interesse dos trabalhadores está crescendoe isso é muito importante! Particularmente gostei muito do resultado do trabalho. Mas o coeço foi essa parceria que você positivamente provocou!!
Valéria: Oi Gricia, que bo te-la conosco!
PAULO MARTIN: OK VALERIA!! QUAIS AS PRINCIPAIS INCERTEZAS QUE VC ACHA RELEVANTE A GENTE OBSERVAR?
Valéria: Ainda não se pode prever como os materiais e dimesões nano se comportam, por exemplo no corpo humano. Os estudos e cultivos de células e animais são insuficientes, não se sabe que limites poderiam ser estabelecidos para uma expsição segura, sem comproeter a saúde dos trabalhadores.
As propriedades físico-químicas dos materiais nessas dimensões são diferentes, os materiais se tornam mais reativos e coo os estudos ainda são isuficientes não temos ainda como prever seus comportamentos!
ph: boa tarde valeria,eu queria saber na verdade o que é nanotecnologia?
Valéria: ph, trata-se da manipulação de materiais em escala de 0 a 100 nanômetros, ou seja u bilionésimo do metro
Essa dimensão é proxima a escala molecular, podemos dizer que trata-se de manipulação de material em nível molucular, e isso só é possível com equipamentos ultra-modernos!!
Alewells: Valéria, boa tarde. Você considera que resultados que demostrem efeitos prejudiciais à saúde dos trabalhadores e da população em geral impactem de algum modo o desenvolvimento de produtos e processos nanotecnológicos? de que modo?
Valéria: Sim, sem dúvida, tanto que na Europa e Japãp por ex, estão preocupados em realizar estudos voltados para aceitação pública na área de segurança, não só do trabalhador, mas estamos falando de produtos no mercado, e aceitação pública é estratégica!
ph: valeria e qual é o impacto que a nanotecnologia faz na natureza?qual é a consequencia?
Valéria: ph, ainda não sabemos, os estudos são insuficientes e particularmente ainda não me dediquei a esse estudo, mas posso dizer que há preocupação dessas nanopartículas por exemplo, cairem no sistema de águas, seja através dos sistemas de despejos industriais, como do uso doméstico - banho de pessoas que tenham usado protetores solares e uma vez nesse sistema, as partículas podem cair na cadeia alimentar. Já existem estudos que demonstam danos em peixes, ratos. Então existem indicativos de potenciais impactos.
dulley: Valéria - no chat do Vladimir fiz pergunta semelhante à do Mauricio. Pelo que tenho lido as aplicações das nano na medicina são extrememente alentadoras podendo-se chagar até ao pós-humano. Daí porque é que as nano não poderão ser aplicadas para corrigir os efeitos danosos ao corpo humano se já parece ser possivel por exemplo com os nanorobots que vão “limpar” as arterias do colesterol depositado. .Você levantou por tabela uma quastão fundamental que é o excesso de informações sobre as nano na Internet que deixa a gente “Louco” , Com selecionara oq eu é realmente importante?
Valéria: Caro Dulley, realmente a gente ficatonto com tanta informação. No nosso caso na FUNDACENTRO, por exemplo, visando a a realização do seminário na semana passada, há três meses dividimos os assuntos, já que não é pssível todos estudarmos tudo! Eu fiquei com o levantamento de ações e projetos em segurança e sapude no trabalho. creio que devemos dar prioridade de acordo com nossa área de atuação ou por alguma demanda específica, se não realmente a gente se perde. não sei se ajudei!
Carmen: Valéria, boa tarde. Assisti sua apresentação no Seminário da semana passada. Aquele material vai estar disponivel em algum site?
Valéria: boa tarde Carmem, sim já está no BLOG do IIEP - http://blog.iiep.org.br/nanotecnologia/, também foram reproduzidos CD.
Alewells: Além dos riscos estáticos das propriedades físico-químicas das nanoestruturas, você encontrou pesquisas sobre os riscos dinâmicos, digamos da auto-montagem, da auto-reprodução, etc…
Valéria: para ser sincera não pesquisei isso e ão me recordo de ter visto algo mais específico. Tenho visto informações mais gerais sobre o assunto.
Valéria: Gostaria de dizer a todos que é um prazer estar nesse bate-papo e convida-los a contribuirem, temos aqui pessoas que também estão pesquisando, inclusive há muito mais tempo que eu, então, por favor fiquem a vontade! O importante é trocarmos informações!!
drica: Boa tarde Valéria / Mauricio e a todos que estão partipando do chat.
Bem Mauricio fiquei sabendo do chat através de uma amiga.
Valéria, gostaria de saber se essas nanopartículas ou nanomatérias oferecem algum risco ao trabalhador?
Valéria: Sim drica, já existem estudos indicando riscos potenciais da nanopartículas em experimentos animais e portanto na sua manipulação os trabalhadores expostos correm risco sim. mas ainda não temos como dimensiona-los.
drica: Que tipode risco? Quem está sujeito a esses riscos?
Valéria: na verdade o risco é para quem estiver exposto as nanopartículas, nosso estudo, na FUNDACENTRO - que é voltada para pesquisa na área de segurança e medicina do trabalho - tem foco na exposição ocupacional ou seja, dos trabalhadores, mas os riscos são para todos, consumidores, meio ambiente.
ph: então quer dizer que o impacto na natureza é catastrofico!
Valéria: ph, não sei dizer, mas é preciso muita cautela e estudos, pois pode haver um desequilibrio sim e não sabemos as dimensões que pode atingir. no seminário que ralizamos na semana passada em São Paulo, por exemplo, foi apresentado um colchão com nanopartículas de prata e, me corrija os presentes se estiver errada, o objetivo é matar as bactérias, esterelizar, mas os ácaros que não são alvo desse bactericida tabém morrem e o palestrante disse não saber porque e tabém não demonstrou preocupação. esse é um tipo de risco que estamos falando. E o pior é que quem está produzindo não está se procupando com esse tipo de impacto!!
Carmen: Só uma informação que recebi hoje. Premio Nobel da Física para os inventores de nanotecnologia que lê os discos rígidos. O francês Albert Fert e o alemão Peter Grünberg
Valéria: Maurício, na verdade li vagamente e acrdito que exista aplicação nessa área sim. E como , por ex, usar o veneno para produzir o soro!!! Vi algo sobre usar os nanomateriais para produzir sistemas/equipamentos de proteção. E creio que isso seja natural! veja, não estamos falando que nas nanotecnologias só ofereçam riscos, mas é que quem as vende só fala das vantagens!
ph: valeria alguns paises já estão usando essa tecnologia?
Valéria: sim ph inclusive nós aqui no Brasil, existem no mundo, bem os números variam de acordo com a fonte, mas de 300 a 700 produtos no mercado. protetores solatres co nanopartículas de óxido de titãnio, cosméticos com nanopartículas ( o boticário p ex), pára-brisas que não sujam (camada de nanopartículs), lentes de óculos anti-risco (camada de nanopartículas), roupas que não sujam, não ficam com odor e uma série de outras aplicações, no mundo todo!!
Carmen: Obrigada Valeria … Falei com a Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança sobre o trabalho e eles ficaram interessados em ler
Valéria: que bom Carmem, é muito importante difundirmos ao máximo essas informações. estou as ordens, meu e-mail e telefone estão na apresentação, mas e todo caso valeria.pinto@fundacentro.gov.br
Alewells: Valéria por que se fala em Benefícios e Riscos das nanotecnologias ao invés de Malefícios e Potenciais das nanotecnologias? É algo como usar defencivos invés de agrotóxicos?!
Valéria: É Alewells, você tocou e um assunto importante, mas não sou a melhor pessoa para lhe responder. Na minha opinião tudo é uma questão de semântica e interesse, publicidade!! Jogada de marketing mesmo!!
drica: Do ponto de vista legal, gostaria de saber como está a regulamentação da nanotecnologia?
Valéria: drica essa é uma outra questão que tem sido discutida em âmbito mundial, há na verdade falta de regulamentação. por ex não há obrigatoriedade de se rotular produtos com nanopartículas, nem testes específcos. mas já existem alguns documentos que falam sobre adequação de regulamentos existentes, por ex na Europa, mas muitas informações sobre aspectos toxicológicos não são disponíveis, então fica difícil adequar a legislação existente. São nessários mais estudos e pesquisas pra suprir de informações científicas necessárias.
ph: poxa valeria eu li no site e fiquei assustado que com essa tecnologia vai poder mudar a materia dos atomos,como isso é possivel?
Valéria: pois é ph realmente se é possível manipular a matéria em escala atômica, pode-se criar a matéria, é disso que estamos falando também. Tanto pode-se manipular materiais existentes e já mencionamos aqui a prata, com também é possível criar matéria a partir dos átomos, inclusive fala-se em criar matéria humana! é verdade que muita coisa ainda é ficção, mas muito já é verdade. Em agosto estivemos em um Seminário Internacional em Vitória e foi divulgado que apenas 5% das pesquisas são divulgadas, então estamos falando de 95% de pesquisas NÃO DIVULGADAS!!!
Alewells: Valéria, você acredita que se for amplamente demostrado, por resultados de pesquisa, que algumas nanoestruturas como nanotubos, por exemplo, causam graves problemas à saúde e ao ambiente, os produtos, cosmésticos, por exemplo, serão retirados do mercado?
Se sim, por favor me explique então porque os automóveis e cigarros que comprovamente causam graves problemas à saúde e ao ambiente, respectivamente, são largamente comercializados?!
Valéria: Caro Alewells, essa é uma questão difícil e tem muito a ver cm a cultura e comportamento humano, mas creio que no caso dos cosméticos, por ex, que tem como único benefício a beleza, as pessoas não iam quere usar mesmo, mas no caso dos cigarros estamos falando de vício, prazer, entende. ninguém fica viciada em cosméticos, que eu saiba!!daí a diferença!!
Alewells: Parabéns a Valéria e a Fundacentro pela difícil iniciativa de pesquisar um assunto tão pantanoso e de fazê-lo com a participação social e dos trabalhadores. Valeu!!!
Valéria: nesse caso os créditos devem ir para o Paulo(provocador e precursor ) e Arline, que teve a iniciativa e propôs o projeto!! Senão não estríamos aqui e talvez eu fosse ainda mais uma alienada tendo ouvido falar muito por alto desse negócio sem ter conciência de suas dimensõs!!
Valéria: Bem pessoal, agradeço a participação de todos, se alguém tiver mais alguma questão podemos permanencer um pouco mais. De qualquer forma deixo meu e-mail para contato, estou a disposição: valeria.pinto@fundacentro.gov.br
Valéria: Agradeço a equipe do Chat e o Paulo pelo convite!!
Valéria: Maurício respondo sim, é só procurar rolando a tela, é que vc quis fazer diferente …, mas posso procurar ou responder novamente, diga-me se não achou.
Valéria: Bem Maurício repetindo a resposta a sua pergunta que não pude localizar, já li algo sim sobre uso de nanoateriais aplicado a proteção, e acho muito natural, em sistemas/equipamentos de proteção mais eficientes. É coo , de certo modo, usar o veneno de cobra para produzir o soro!!
Alewells: Dulley e Valéria. É verdade. Mas, será que essas “maravilhas” prometidas pelas nanotecnologias não são para resolver os problemas resultantes exatamente do uso descontrolado de antigas tecnologias?
Alewells: Valéria quantos pesquisadores das universidades e centros de pesquisas do Brasil que você conhece estão estudando os impactos à saúde e segurança do trabalho da introdução de nanoestruturas e nanoprocessamentos?
Valéria: Sinceramente?????? Não conheço nenhum!!
Conheça o estudo da Valéria:
Levantamento dos estudos/ pesquisas e ações em nanotecnologia e Segurança e Saúde dos Trabalhadores no Mundo.
Por Valéria Ramos Soares Pinto - FUNDACENTRO/CERJ
clique aqui para baixar a apresentação (1,8 MB)
Clique aqui para visitar a agenda e os arquivos do Programa de Engajamento Público em Nanotecnologia
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